sábado, 22 de setembro de 2012

Nefropatia por IgA

O que é?

           Também chamada de Doença de Berger, caracteriza-se pela presença de grandes depósitos de IgA principalmente em regiões mesangiais, detectados à microscopia por imunofluorescência.
A nefropatia por IgA é causa frequente de hematúria recorrente e provavelmente o tipo mais comum de glomerulonefrite no mundo. A doença foi observada em 40% das biópsias realizadas na Ásia por glomerulopatias, 20% na Europpa e 10% na América do Norte. É mais comum em homens (relação 2:1) e geralmente atinge pacientes na segunda e terceira década de vida.
           Pacientes apresentam hematúria macroscópica ou microscópica, com ou sem proteinúria. Geralmente está associada a infecção do trato respiratório superior ou gastroenterite. Em alguns casos podem surgir sintomas de insuficiência renal, tais quais edema, hipertensão e oligúria.
           Resumindo a história, a doença de Berger, ou nefropatia por IgA, é uma doença que ocorre quando anticorpos do tipo IgA, por motivos ainda desconhecidos, começam a se depositar nos glomérulos. Esta deposição é um evento anormal e inesperado, levando à ativação de células inflamatórias, que em última análise, causarão lesão dos glomérulos. Como os glomérulos são as principais unidades responsáveis pela filtragem do sangue, a sua destruição leva a insuficiência renal crônica

Sintomas

           A manifestação clínica da nefropatia por IgA pode ser bem variável.

          - Em pelo menos 50% dos casos os pacientes apresentam quadros intermitentes de sangue na urina, chamado de hematúria, que ocorrem sempre após uma infecção das vias respiratórias, incluindo amigdalites, faringites ou rinossinusites. Esse quadro ocorre porque toda vez que o paciente tem uma infecção respiratória, há um estimulo à produção de IgA, o anticorpo responsável pelas defesas neste sítio. Como sua IgA é defeituosa, ela acaba se depositando indevidamente nos glomérulos, causando a hematúria, um sinal de irritação nos rins. Quando a infecção se cura, os níveis de IgA caem, e os sintomas de nefrite costumam desaparecer provisoriamente.
          - Em 40% dos casos, o paciente apresenta uma perda de sangue e de proteínas na urina, em pequenas quantidades, não sendo possível ser detectada ao olho nu. Este sangramento imperceptível na urina recebe o nome de hematúria microscópica. Normalmente o paciente permanece anos com esta perda discreta de sangue, sem apresentar nenhum outro sintoma. O diagnóstico da hematúria microscópica normalmente ocorre por acaso em exames de urina solicitados sem motivo especial
          - Em 10 % dos casos, a nefropatia por IgA se apresenta como uma nefrite mais grave, com grandes perdas de proteínas na urina, chamada de proteinúria, podendo causar síndrome nefrótica. Estes doente podem também apresentar elevações na sua creatinina sanguínea, que é um sinal de insuficiência renal. A hipertensão é outro achado comum, que também sugere lesão renal mais grave.

              As duas primeiras apresentações clínicas descritas acima, que envolvem quase 90% dos casos, são de uma doença crônica, com progressão ao longo de 15-20 anos. No caso de nefrite mais grave, como no último exemplo, a doença é mais aguda, podendo evoluir para insuficiência renal crônica avançada em menos de 5 anos.

Tratamento

            1.) O tratamento da nefropatia por IgA varia de acordo com o prognóstico estimado. Os casos mais benignos, com apenas uma discreta hematúria, sem hipertensão, sem proteinúria e sem elevação da creatinina, não precisam de tratamento e devem apenas ser seguidos a cada 6 meses. Nestes casos, a maioria dos nefrologista sequer pedem a biópsia renal, já que dificilmente seu resultado servirá para alterar a conduta.
            2.) Nos pacientes que apresentam proteinúria leve, abaixo de 1g em por dia, ou hipertensão, está indicado o tratamento com 2 classes de anti-hipertensivos: Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e/ou Antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA-2). São medicamentos que controlam a pressão arterial, diminuem a perda de proteínas e protegem os rins.
Nestes casos também se pode usar comprimidos de óleo de peixe (Omega 3, que possui atividade anti-inflamatória.
           3.) Nos casos mais graves, com proteinúria importante ou elevação da creatinina, o tratamento com drogas imunossupressoras está indicado. O principal é o corticóide, normalmente prednisona ou prednisolona.
          
           Se não houver melhora, a ciclofosfamida está indicada.
           A não resposta ao tratamento indica que o paciente provavelmente evoluirá com perda irreversível da função renal e necessidade de hemodiálise a curto prazo.

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